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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Ano Decisivo para o Brasil

2018 será de escolhas e de pensar a direção a ser tomada pelo Estado e pelo país; o Diário Popular apresenta os possíveis cenários políticos para a próxima eleição

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Apesar de ser o primeiro dia útil do ano, precisamos avançar alguns meses no calendário para situar-se no assunto. Primeira semana de outubro. Já é noite e a televisão está ligada. Encerrada a novela, é hora do debate eleitoral e você precisa decidir qual a melhor opção para o país e para o Estado.

Lula será candidato? Michel Temer, com 1% das intenções de voto, buscará a reeleição? Eduardo Leite poderá ser o primeiro governador pelotense desde Carlos Barbosa em 1908? Que resposta os gaúchos darão às medidas de Sartori, se confirmada sua candidatura a reeleição? Em quais condições chega no pleito Mateus Bandeira, outro pelotense na disputa pelo Piratini? Pelotas conseguirá eleger um deputado federal? A Zona Sul terá mais representatividade a partir de 2019 na Assembleia Legislativa? O resultado será respeitado? Como ficará o país após o processo eleitoral?

Estas e outras dúvidas permeiam as conversas, os debates e as previsões feitas para as eleições brasileiras de 2018. O encontro marcado com a urna acontece no dia 7 de outubro, ou daqui 279 dias e a escolha envolve votar em deputado estadual, federal, senador, governador e presidente. Um eventual segundo turno está marcado para o dia 28 de outubro, data que a população conhecerá seus representantes no Poder Executivo até 2022.

Com a tímida reforma política aprovada pelo Congresso Nacional e já válida para este ano, os políticos terão menos dinheiro para a campanha e algumas regras foram modificadas, como período de campanha e modelos de arrecadação de dinheiro. Se em 2014, Dilma Rousseff (PT) tinha um caixa de R$ 350 milhões e Aécio Neves (PSDB) R$ 222 milhões. Neste ano cada partido poderá gastar no máximo R$ 75 milhões para a campanha presidencial.

Na disputa pelo Palácio Piratini, a definição do teto de gastos na campanha será reconhecida até o final de maio, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará o cálculo para obter o número de eleitores no Estado. O valor pode variar de R$ 2 milhões a R$ 21 milhões. Em 2014, enquanto Tarso Genro (PT) arrecadou R$ 11 milhões, o vencedor José Ivo Sartori (PMDB) reuniu R$ 9 milhões para toda a campanha, conforme as respectivas prestações de contas.

Políticos e partidos já se mobilizam em torno de nomes e de coligações. Em Pelotas, pelo menos quatro vereadores já são considerados pré-candidatos a deputado. Luiz Henrique Viana (PSDB) e Marcus Cunha (PDT) irão disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ivan Duarte (PT) e Daniel Trzeciak (PSDB) miram Brasília com uma cadeira na Câmara dos Deputados. Na disputa para governador, Pelotas terá pela primeira vez dois candidatos naturais do município: o ex-prefeito Eduardo Leite (PSDB) e Mateus Bandeira (NOVO). Eles devem ter a concorrência de Miguel Rosseto (PT), Jairo Jorge (PDT) e José Ivo Sartori (PMDB), como os principais adversários.

Após alcançar o terceiro lugar nas eleições de 2016, Jurandir Silva concorre novamente a deputado estadual pelo PSOL. Nome tradicional na concorrência para uma vaga na Câmara dos Deputados, Fernando Marroni muda de posição este ano e concorre a deputado estadual, cargo hoje ocupado por Miriam Marroni, que não deve participar da eleição.

Lula lidera, mas cenário é incerto
As últimas seis eleições presidenciais dividiram o Brasil entre PSDB e PT. Em 94 e 98, a vitória ficou com o tucano Fernando Henrique Cardoso. Lula, que vinha disputando o cargo desde 1989, obteve a primeira vitória em 2002 e emplacou outras três, reelegendo-se em 2006 e elegendo a sucessora Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Esta última, a mais conturbada e que deu fim à era dos governos do PT com a destituição da presidente Dilma em agosto de 2016 pelo Congresso Nacional.

Desde então, um novo projeto para o Brasil está sendo implementado. As diretrizes do plano de governo do PMDB colidem em muitos aspectos com as políticas públicas que vinham sendo postas em prática nos últimos governos petistas, apesar de integrar os dois governos de Dilma Rousseff. O PSDB, partido derrotado nas urnas, ocupou cargos do alto escalão de Temer e passou da oposição para a situação, com grande parte dos deputados e senadores integrando a base governista.

O processo que levou Michel Temer à presidência, através de uma escolha do Congresso Nacional, enfraqueceu a função das eleições. O cenário é visto como repleto de incertezas e de instabilidade institucional na análise do cientista político Álvaro Barreto, professor ligado ao Instituto de Filosofia, Sociologia e Política da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ele lembra que as eleições foram criadas e sustentadas como mecanismo por excelência para a escolha de autoridades políticas, desde que uma série de requisitos sejam cumpridos. Um pleito deve ser limpo, sem fraudes, sem abusos de poder político e econômico.

“A outra questão é a ideia que, aqueles que se envolvem na disputa estão dispostos a suportar o resultado, ganhando ou perdendo? Isso nós perdemos em 2014. As eleições valeram, deram posse aos eleitos, mas de fato não valeram. Então por que 2018 vai ser diferente?” questiona o cientista. Para Álvaro, a estabilidade relacionada à eleição foi perdida, o que também enfraquece a própria democracia e o poder de escolha do eleitor. O professor chega a duvidar que haja eleição. “Enxergo com muita preocupação, ao contrário do que eu diria anos atrás, eu não tenho plena convicção que haverá eleições em 2018”, afirma.

O cenário da eleições para presidente da República se desenha concretamente a partir do dia 24, quando Lula será julgado pela turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região (TRF 4). Caso a decisão dos magistrados confirme a condenação de Lula proferida em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente fica, em tese, inelegível. Porém, a lei ainda permite que Lula registre sua candidatura em agosto, que seria avaliada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes ou depois da disputa, o que pode proporcionar um cenário de muitas incertezas para o eleitorado brasileiro mesmo após o resultado ser divulgado.

Lula lidera todas as pesquisas divulgadas até o momento com vantagem sobre o segundo colocado. Em pesquisa divulgada pela Datafolha no início de dezembro, o ex-presidente venceria todos os cenários simulados para o segundo turno, contra Bolsonaro, Marina e Alckmin. Em comparação com a pesquisa anterior, feita no final de setembro, Lula aumentou a vantagem contra estes três candidatos entre 4% e 6%.

Para Barreto, a força de Lula se sustenta em dois aspectos: a lembrança do que foi o seu governo e a figura do “perseguido pela justiça”. “Comparado a hoje, o período de Lula era de muito mais pujança, recursos econômicos e inserção internacional. A outra é a construção de um personagem de perseguido pela justiça. Depois de tudo o que a gente viu, anos a fio batendo no Lula e ele estar com este percentual de intenção de votos, mostra àqueles que querem se livrar dele ou condená-lo, que isso não está funcionando”, afirma.

O professor também possui a curiosidade de qual será a postura de Lula diante da decisão da justiça, caso seja condenado em segunda instância e tornado inelegível. Se irá forçar a candidatura, se vai lançar outro candidato. “Isso também pode contribuir para o clima de instabilidade e convulsão social”, analisa.

Caso Lula seja eliminado da disputa por decisão da justiça, Bolsonaro (PSC) aparece em primeiro com 21%, seguido por Ciro Gomes (PDT) com 12% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 11%. Quem parece conquistar eleitores de Lula seria Ciro Gomes, empatado em segundo lugar com Alckmin. No cenário sem Lula, também aumentam o número de nulos e dos que não sabem em quem votar.

Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo e possível substituto de Lula aparece apenas com 3% de intenções sem muita força no cenário nacional.

Ainda sem definição por qual partido concorrerá em 2018, Bolsonaro assume a liderança sem Lula, mas perde forças no segundo turno e é derrotado em todos os cenários simulados pela mais recente pesquisa - contra Marina e Lula. Para Álvaro Barreto, o perfil e as ideias de Bolsonaro não contribuem para uma estabilização do país. “Não é um bom nome, pensando no que ele significa como compromisso com a democracia”, opina. Em diferentes momentos, Bolsonaro já se mostrou defensor da Ditadura Civil-Militar e das práticas de tortura durante o regime militar. Em 26 anos como parlamentar, Bolsonaro tem dois projetos aprovados na Câmara. No Facebook, o militar possui quase cinco milhões de seguidores.

O PSDB já confirmou o nome de Geraldo Alckmin como candidato a presidente. O tucano foi derrotado por Lula em 2006 na única vez que concorreu ao cargo. Alckmin é governador de São Paulo desde 2011. A principal missão do PSDB será desprender a marca negativa deixada por Aécio Neves, que chegou a ser afastado do cargo de senador acusado em diversos casos de corrupção. Outra missão será desenvolver uma tática que descole da imagem do governo Michel Temer. O PSDB integra a gestão Temer desde o impeachment e auxiliou o Planalto a aprovar as principais reformas propostas pelo PMDB no poder. Na mesma pesquisa divulgada pelo Datafolha, dados informam que o apoio de Temer levaria 87% dos eleitores a rejeitarem o candidato.

Outro que ganha força com uma possível saída de Lula do processo é Ciro Gomes (PDT). Atualmente no PDT, Ciro já disputou a presidência em 1998 e 2002 pelo PPS. Ex-governador do Ceará e ministro de Itamar Franco e Lula, Ciro também tem viralizado nas redes sociais com frases e discursos de efeito em palestras e conferências que tem participado.

Marina Silva (Rede), que participou das últimas duas eleições, desta vez será candidata pela Rede Sustentabilidade - no último pleito, Marina concorreu pelo PSB com o gaúcho Beto Albuquerque, e na primeira vez pelo Partido Verde (PV). Outros nomes como João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (PSD) , Paulo Rabello de Castro (PSC), Manuela D’Ávila (PCdoB) surgem com 1% das intenções de votos e devem ficar mais próximos do rodapé da tabela.

Michel Temer (PMDB), que recentemente sinalizou uma possível candidatura à reeleição, é outro que aparece com apenas 1% das intenções de voto. Com a pior popularidade desde os militares, seu governo é reprovado por mais de 70% dos brasileiros. Em um café da manhã com jornalistas em Brasília no último dia 22, Temer afirmou que a população aprova seu governo, porém tem vergonha de se manifestar a seu favor.

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